Tudo bem que o álbum foi lançado no final de abril e estou escrevendo sobre ele no final de julho, mas um blog atualizado é mainstream demais... E atenção: esse post é enorme.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Corsets e ambição
Homens e mulheres entrelaçados como fios de lã de um novelo particularmente embaraçado... A ambição toca sua interminável música, ensurdecendo os ouvidos vaidosos de quem a escuta atentamente, com coração vulnerável e olhos vazios. Sapatos brilhantes e tecidos luxuosos, argumentos impecáveis e palavras realmente grandes, embelezando o significado máximo da ganância.
Todos querem poder. Poder de gastar o que quiser, ter o que desejar, amar escondido, mandar no outro, destruir vilas inteiras para construírem espaços de lazer sob medida. O dinheiro há muito deixou de ser um pedaço de papel que os alimentam. Este foi imbutido de uma nova importância, tornou-se vício, jamais virtude. Homens trocam suas amantes por notas de cem; beijam-nas, sussurram poemas de amor verdadeiro a elas, se sujam de mil cores proibidas para conseguir tocá-las por mais tempo.
Eu quero dinheiro. Seria uma mentirosa negando-o. Também quero beijar notas de cem, pois elas me comprariam os corsets mais belos para apertarem a minha silhueta; as meias finas mais bonitas e diferentes; os sapatos mais altos e personalizados; as viagem mais exóticas e maravilhosas que eu jamais imaginei. Com milhões de notas de cem, eu teria uma biblioteca fantástica, com milhões de livros que me acompanhassem dia e noite; meus companheiros incansáveis. Com milhões de notas de cem, eu faria com que os meus humanos favoritos me notassem e me amassem com energia inesgotável.
Mas não me interesso pelo jogo de ambição que as pessoas pretendem que eu jogue. Relações mecanizadas são a maior forma de perder tempo, e já que decidi viver também decidi que meu tempo é precioso demais para isto. Prefiro ter poucas notas de cem, nenhum corset, meias baratas, sapatos comuns, viagens casuais, pegar livros emprestados da biblioteca pública e ser eternamente solitária do que deixar que alguns homens poderosos se aproveitem da minha ambição.
Que minha ambição seja medida em caracteres, livros, frases e personagens, não em esquemas e trapaças. Que o meu dinheiro venha do meu próprio esforço, e de nenhum outro lugar. Que minha corrupção seja medida em lençóis, não em tribunais.
Categories
crônicas
sábado, 23 de junho de 2012
Lorissando: Backstreet Boys - Quit Playing Games with my Heart
Depois de um mês de silêncio, retomo o blog com uma seção nova, que apesar de nova não tem propósito algum - como o resto do blog.. E nada melhor pra estrear uma seção nova do que analisar os incríveis, os maravilhosos, os inigualáveis Garotos da Rua de Trás, a.k.a Backstreet Boys. Aperta o play e pega na minha mão, porque a coisa vai ficar dramática.
Categories
Inutilidades,
Lorissando,
Música
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Musique #04 - Música pra Lavar Louça
Depois de mais de um mês sem postar, lendo MUITO A Song of Ice and Fire, estou de volta! E dessa vez, com uma playlist toda especial... músicas para você se inspirar enquanto lava a louça nossa de cada dia, ou pra limpar o resto da casa. Coloque suas luvas de borracha, uma roupa velha e vem comigo.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Visão
Estou rígida e desconfortável, enquanto
encaro o espelho. E pela primeira vez em anos, percebo a real cor dos meus
olhos. O fogo presente na minha existência faz com que eles brilhem e mostrem
suas verdadeiras cores. Parecem olhos de tigre. Como se uma condessa quisesse
se desfazer seu pingente e colocado os
resquícios da pedra em meus olhos. Meus olhos fixam-se em seu próprio reflexo,
incapazes de notarem qualquer outra coisa.
São olhos brilhantes de tanta tristeza.
Eles não brilham por amor ou por felicidade. Brilham porque só conhecem a
decepção, a melancolia e o desejo. Não reconhecem em outros olhos o conforto de
serem aceitos, nem de estarem seguros. O mundo que lhes foi apresentado é um
mundo de guerras, sangue e fogo. Ignoram qualquer outra realidade, mesmo que
esta esteja nítida e acenando os braços frios em sua direção. Preferem ser
ignorantes do que degustarem algo que não lhes pertencem.
E quando o meu torpor é brutamente
interrompido, meus olhos encaram outros. São levemente parecidos, estes olhos.
São os olhos que originaram os meus. Olhos que não possuem outro propósito a
não ser julgar, criticar, interromper, exigir. Todavia, eles não são nada para mim. Enquanto os meus olhos
continuarem brilhando e enquanto o meu coração continuar se consumindo em seu
próprio fogo implacável, não temerei nada.
Apesar de tristes, eles enxergam. Apesar
de conhecerem nada além de ruínas, eles são capazes de entenderem a beleza
ardente na qual a vida se apoia. E sim, meus olhos choram... mas a cada
lágrima, minhas chamas queimam mais ainda.
Categories
crônicas
Assinar:
Postagens (Atom)





