domingo, 4 de agosto de 2013

#21 - A Ponta da Faca

written by Larissa Rainey at 20:00 0 comentários.
lovelycontusions

Como conformar o inconformado?
Os argumentos imbatíveis são corrompidos pela imaginação do ouvinte desinteressado. A lógica e a racionalidade são atropeladas pelo "homem-de-ação" que não se importa com as teorias. O amor e o carinho são substituídos pelo desejo de ter poder e pela luxúria da rigidez. O respeito sai da prateleira, e agora só vendem sapos - prontos para engolir.
Eu preciso sobreviver... preciso?
Por mais que uma pessoa tente ignorar, existem sentimentos envolvidos. Existe aquela vontade de pertencer a algum lugar, mesmo que este lugar seja a definição do inferno da classe média. Existe a procura pelo afago, pelo calor, pela esperança de que o mundo não seja tão execrável assim.
Eu procuro pelo paraíso inexistente. Nunca existiu. Não existe. Jamais existirá.
Procura-se soluções, e não razões. Por mais que sejam compreendidas as razões, de nada adianta esse conhecimento sem um plano prático para acabar com tudo.
"Acabar com tudo"... não importa para onde eu corra, essas são as três palavras que chovem no meu jardim semântico.
O aço gelado perfura a pele e machuca a carne, enquanto o sangue corre solto.
A cada vez que eu converso com você, é mais um murro que dou na ponta da faca. Ela nunca perde o corte. Você sempre tem razão. Eu sempre enlouqueço.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

#20 - O Manifesto da Introvertida

written by Larissa Rainey at 21:55 0 comentários.

introversion II por ezorenier
Você não dirá que eu devo sorrir.
Você não dirá que eu devo sair de casa.
Você não dirá que o palpitar trêmulo dentro de mim é frescura.
Você não dirá que se eu arranjar um emprego, deixarei de ser assim.
Eu sou introvertida - lide com isso.
Eu não vou abraçar qualquer pessoa. 
Eu não vou puxar assunto com qualquer pessoa em qualquer lugar.
Eu não vou te dizer algo engraçado se eu não me sentir confortável antes.
Minhas mãos estão no meu bolso, meus olhos para baixo.
Eu sou introvertida e você não deve tentar mudar quem eu sou.
Eu sou introvertida e você não deve me criticar por isso.
Eu me abro com quem eu quiser, na hora que quiser,  SE eu quiser.
Não sou melhor por causa disso.
Não sou pior por causa disso.
Comigo as coisas podem ser mais demoradas, mais lentas, mais doloridas.
Mas eu vou melhorar isso se eu quiser - se eu não aguentar mais.
Não tente me mudar. Não tente me diminuir. Não tente me pressionar a ser igual a você, extrovertido.
Você não é melhor que eu só porque consegue fazer amigos mais rápido.
Você não é melhor que eu só porque consegue arranjar empregos mais rápido.
Você não é melhor que eu só porque consegue falar em público com mais facilidade.
Estou em contato comigo mesma, estou dentro do meu mundo.
Não me tire dele a não ser que eu queira.
Eu não preciso mudar o meu interior para caber no formato que você prefere.
Eu não preciso mudar o meu coração para falar mais alto.
Se você não me respeita falando pouco, falando baixo ou não falando, por que eu deveria te respeitar para ser mais cômoda ao seu molde?
Se eu quiser sair de casa para conhecer gente nova, eu saio.
Se eu não quiser, eu não saio.
Eu sou introvertida e me tranco - melhor do que sair à força.
Eu sou introvertida e falo baixo, mas se você tentar me convencer de que isso é falha de personalidade, eu vou gritar bem alto para você ir se foder, seu merda.



terça-feira, 30 de julho de 2013

Hannibal

written by Larissa Rainey at 22:54 1 comentários.
O seu amor é canibal, comeu meu coração mas agora eu sou feliz

Percebi que ultimamente o blog anda muito focado em crônicas e textos sentimentais em geral, e bateu um nojinho tive vontade de mudar um pouco isso. Resolvi então escrever sobre uma série que vi recentemente e me apaixonei - Hannibal.

A série, idealizada por Bryan Fuller (que também fez Pushing Daisies e Dead Like Me), é uma prequel aos filmes. Ou seja, é antes de Dragão Vermelho. De acordo com Bryan, os eventos de Dragão Vermelho aconteceriam lá pela quarta  temporada. Mas veja bem, uma série como Hannibal dispensa maiores explicações e apresentações - principalmente por carregar o nome de um dos serial killers mais icônicos da ficção. Mas como convencer as pessoas a assistir um Hannibal que não é o Anthony Hopkins?


Mads Mikkelsen é incrível como Hannibal. Ele não tenta imitar o Hannibal de Hopkins - mas percebe-se claramente que é ele a figura que mais tarde conhece Clarice em Silêncio dos Inocentes. Ele é sofisticado, reservado, e manipula a mente das pessoas ao seu redor com muita, mas muita classe. A cada vez que ele entra em cena, eu sinto um misto de admiração, nojo e fascinação. O Hannibal de Mads é completamente crível - o que dá MUITO medo. Achei um absurdo ele não ter sido indicado ao Emmy desse ano.

por delacores, no tumblr.
Aí temos Hugh Dancy como Will Graham. Não sei nem por onde começar a descrever o Will.
Se tem alguém que se ferra nessa série, é ele. A imaginação e genialidade dele (junto com outros probleminhas) fazem com que ele tenha o talento de reconstruir o pensamento de serial killers. Lógico que uma habilidade dessas fode a cabeça de qualquer um, e quanto mais o Jack Crawford
(Laurence Fishburne <3)  quer que ele "salve" vidas, mais o Will se perde dentro da própria cabeça. Pra piorar, ele ainda confia no Hannibal para cuidar da sua saúde mental.
A receita para um colapso mental é essa aí, anotem. 
Hugh Dancy está excepcional como Will Graham - ele consegue passar as alterações do estado mental de Will de uma maneira realista e angustiante. Não tem como morrer de dó dele e de querer ajudá-lo de alguma maneira. O relacionamento dele com Hannibal é o ponto mais importante da série - e é muito bem explorado, com dois atores incríveis e um roteiro maravilhoso.

E eu tenho três coadjuvantes favoritos:

Beverly Katz, também investiga crimes e é especializada na análise de fibras e cabelos. É inteligentíssima, tem um senso de humor seco e incrível, e adoro o jeito como ela admira as habilidades do Will e até se preocupa com ele. 1 linda. <3




Eu gosto da profundidade que existe na Alana Bloom. Ela se preocupa com o Will, briga com o Jack por causa dele, não tem medo de expressar suas opiniões e seus desejos e é muito madura. <3









Lógico que eu não deixaria de falar da cota ruiva de Hannibal, né. Freddie Lounds mistura muitas coisas que eu amo num personagem: inteligência, ambição, determinação, moral questionável, dicotomia e cabelos ruivos cheios e cacheados. <3
Ela não deixa nada escapar e não se preocupa em ter que passar por cima de alguém para cobrir uma matéria. O relacionamento dela com o Will é cheio de tensão e sarcasmo e raiva, e pra mim ela é uma das melhores mulheres da série. 











Por fim, quero dizer que: se você quer sofrer por uma série bem escrita, assista Hannibal neste exato momento. 



sábado, 29 de junho de 2013

#19 - O não dito

written by Larissa Rainey at 22:57 0 comentários.
Insanity by ~starg691

O pedestal que te colocam é falso. As construções sociais que elevam a sua importância são decrépitas e fracas. A sua voz clama pela atenção que recusam a te dar. Os seus berros assustam o coração que está cansado de bater no ritmo da ansiedade. As suas lágrimas denunciam o medo de enfrentar a escuridão. O brilho verde dos seus olhos ecoa o nada da sua alma.
O que você vê quando está em frente ao espelho? Você perde tanto tempo dissecando os defeitos da sua carne que esquece dos pontos mofados do seu interior. Conta cada prato de comida, atribui pontos a cada um deles. Engole qualquer pílula que deixe seu corpo bonito. Mede cada centímetro da sua pele, esfrega qualquer loção para tentar camuflar os sinais do tempo e da vida. 
Mas mãe, você sempre foi bonita. 
Pena que esqueceu de alimentar o que está aí dentro, escondido, esperando. A raiva cava buracos profundos na pele sangrenta e macia do seu coração. As palavras afiadas distanciam quem você carregou no útero. O  medo da escuridão fez com que você repousasse sua cabeça em qualquer luz. Expectativas exageradas esfolam a suavidade da sua voz e te deixa áspera, violenta e insalubre. Desgastou tanto a si mesma que seus ouvidos querem parar de ouvir o mundo ao seu redor.
E se as coisas tivessem sido diferentes?
E se naquele 30 de novembro, tudo tivesse acabado? Talvez você seria obrigada a encarar a escuridão profunda que te cerca. Teria que anunciar para o mundo que você errou, e que não havia mais conserto dali em diante. O quarto que você tanto odeia ficaria vazio para sempre, com memórias fantasmagóricas da pessoa que um dia você chamou de maldita.
Não adianta pensar no que poderia ser. Suas palavras nunca vão se abrandar, e eu ainda estou aqui. A escuridão que você tanto teme é minha amante. Eu conheço cada toque e cada sussurro dela. Sei bem como é segurar cada curva de seu corpo frio e rígido. Estive em  lugares que não ouso voltar novamente - os mesmos lugares que você tenta preencher com fotos falsas.
Mas eu estou me libertando. Por que você ainda se prende?

(Texto inspirado pela música Mother, do Yann Tiersen.)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman

written by Larissa Rainey at 23:29 3 comentários.

Eu observei o lançamento do livro novo do Neil Gaiman com um pouco de indiferença. Talvez seja porque minha cabeça anda muito cheia ou porque eu parei de comprar livros constantemente por causa das mil leituras do tcc. O último livro de ficção que eu li foi Entrevista com o Vampiro em março... por causa do tcc.  Por prazer mesmo, só O Senhor dos Anéis - que ainda preciso terminar. 
Mas eu estava com duas horas pra gastar numa tarde de sábado... tem um shopping com uma livraria perto da minha psicóloga... eu tinha dinheiro... "Olha, o livro novo do Gaiman... hm,está barato... COMPRADO!". 
O narrador, após um funeral, acaba voltando para a vizinhança onde cresceu. Andando por lá, ele se encontra num lago que fazia parte da propriedade das Hempstock - e então, toda a narrativa acontece através de flashbacks de uma determinada parte de sua infância.
Quando ele tinha sete anos, um dos inquilinos se suicidou dentro de um carro da família.  Esse suicídio acaba perturbando forças mágicas e misteriosas - e que, aparentemente, só as mulheres Hempstock conseguem lidar com essas forças. A velha sra. Hempstock afirma que viu o Big Bang - e Lettie, a mais nova, diz que o lago é seu oceano. E o resto... são spoilers.  
O Oceano no Fim do Caminho me conquistou bem lentamente. É daqueles livros que vai te conquistando aos poucos, e quando você vê já está completamente imersa no mundo proposto pelo Neil. Percebe-se que em alguns momentos, ele escreveu sobre coisas bastante pessoais (o narrador é um leitor ávido, entre outros detalhes). É, acho que se pode dizer que é um livro cativante. Vai de mansinho, como quem não quer nada, e te arrebata quando você menos espera. 
Recomendo, e muito. E agora preciso ler Deuses Americanos! 

PS: Sim, troquei de layout de novo. Espero que tenham gostado :)

 

Larissa Rainey Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos