terça-feira, 10 de junho de 2014

LANÇAMENTO - Nada Disso Aconteceu de Verdade

written by Larissa Rainey at 23:59 1 comentários.

Eu vou fingir que eu não estou passando mal neste exato momento. Ok, Larissa, vamos lá!
Como eu anunciei  na página do Inside the Secret Window, a coletânea Nada Disso Aconteceu de Verdade já está à venda!!! Eu fiz uma coisa e terminei!!!!!!! 


Ok, explicando sobre a coletânea: ano passado eu escrevi muitas crônicas. Na verdade, eu tirei alguns textos do baú, escolhi os melhores, escrevi vários textos novos - inclusive terminei uma crônica que comecei em 2012 rs, e pronto! Cá está essa coletânea. 
Sim, é bastante pessoal - como tudo o que eu escrevo. É cheia de altos e baixos, entre momentos brilhantes de glória e felicidade até os momentos que eu preferia que não tivessem acontecido. Eu estou numa fase de mudanças, numa fase de buscar uma certa estabilidade. Preciso olhar para trás e lembrar das coisas que não quero mais que aconteçam. E decidi compartilhar isso com vocês :)
Eu espero, do fundo do meu coração, que vocês gostem. Espero que alguma coisa ali traga algo de bom para vocês, mesmo que a maioria dos textos sejam tristes. 
Sabe o que isso também significa? Que está na hora de continuar The Wandering Children ;) Mas calma, vamos sem pressa...





segunda-feira, 5 de maio de 2014

Brasil, um país hospitaleiro

written by Larissa Rainey at 22:06 1 comentários.
Sempre que algum amigo ou parente estava para visitar ou morar em outro país, eu ouvia a seguinte frase: "Só o Brasil recebe bem as pessoas. Povo nos Estados Unidos e Europa é tudo frio e não estão nem aí."
Nunca gostei e concordei com essa frase. E cada vez concordo menos com ela.
Muito se fala da cordialidade do brasileiro. Somos hospitaleiros, animados, de bem com a vida, sempre de alto astral... mas calma. Peraí. Acredito que pra sermos realmente cordiais, nos falta muito ainda. 
Onde está a cordialidade do brasileiro ao linchar uma mulher até a morte por conta de um boato no Facebook?
Onde está a cordialidade do brasileiro ao respeitar as próprias conterrâneas na rua?
Onde se encontra o carinho, o respeito e a hospitalidade dos estudantes de uma faculdade privada para com uma aluna negra, feminista e bolsista
Inúmeros casos, inúmeros desrespeitos e preconceitos. 
Mas o Brasil tem mulheres lindas... as mulheres brasileiras que nunca são respeitadas, nem dentro de casa e nem fora, nem quando denunciam seus casos de estupro.


Fica uma pergunta na minha cabeça: o Brasil é hospitaleiro para quem?
Pra quem é homem, cis, branco, hétero, cristão, de classe média/alta? 
Então não somos hospitaleiros merda nenhuma.

sábado, 8 de março de 2014

Mais um dia

written by Larissa Rainey at 01:12 2 comentários.

obg Malu <3

Uma flor, um bombom, um estereótipo reforçado pela milésima vez. Uma hipocrisia vestida de homenagem. Um reverenciamento do arquétipo inatingível. É o que nos oferecem a cada oito de março.
Depois de recebida a flor, o bombom, o cartãozinho, nos sobram as dificuldades diárias. Mensais. Anuais. Muito cara a taxa de anuidade que se paga por ser mulher - e não dá para cancelar o cartão assim, de uma hora pra outra.
Que levante a mão a mulher que anda tranquila pelas ruas de sua cidade à noite. Que levante a mão aquela que não tem uma história de assédio nas ruas. Que levante a mão aquela que nunca se sentiu intimidada por algum homem: seja o pai, o irmão, o avô, o amigo, o namorado, o chefe. Para ser sincera, não espero mãos levantadas ao fim deste parágrafo.
Ser mulher é ouvir uma série de alarmes, desde a mais tenra idade. Crescemos ouvindo que existe um padrão e ele deve ser obedecido. Precisamos escolher entre vários tons de rosa, bonecas que muitas vezes não nos representam, precisamos ser silenciadas, caladas, porque "menina é mais quietinha". Temos que ser dóceis, afáveis, meigas. Aguentar tudo sempre com um sorriso no rosto. Acham que somos vasos decorativos, encostados numa prateleira inalcançável. Uma flor para um vaso. Entende?
Dizem que mulheres são indecifráveis. Que o nosso não é um sim, que não nos expressamos de acordo com o que pensamos. Nossas negações são o estopim de uma longa discussão, em que tentam nos convencer a fazer o que nem sempre queremos. Muitas vezes, nos vencem pelo cansaço. 
"Mas por que não? Me diz, eu quero saber. Conta, vai. Mas por que não? Vai ser bom. A gente se dá tão bem! Eu sei que você quer."
A cada século se criam homens que não respeitam mulheres. Não respeitam nosso espaço físico nem mental. Precisamos lutar para conseguir escolher representantes políticos. Precisamos insistir por salários melhores e iguais aos dos colegas homens. Não podemos exercer nossa liberdade de vestir o que queremos por medo do que pode nos acontecer. Não podemos andar na rua à noite sem ter medo de qualquer pessoa que passe perto de nós. Não podemos ir ao trabalho às oito da manhã sem sermos assediadas na rua. 
Mulheres morrem nas mãos de seus  maridos, namorados, amantes. Mulheres apanham desses companheiros, vivem com medo, sem dinheiro para ir embora de casa. Mulheres morrem fazendo abortos ilegais porque não nos dão o direito de fazer esse procedimento de maneira segura. Mulheres morrem no parto, em condições precárias. Mulheres são estupradas, abusadas física e psicologicamente. E ainda sim, colocam a culpa em nós. Se apanham do namorado, é porque aprontaram. Não consegue sair de um relacionamento abusivo? É trouxa, idiota, apanha porque quer. Morreu fazendo aborto? Bem feito! Morreu no parto? Bem feito! Abre as pernas, é isso que você ganha. Foi estuprada? A culpa é das suas roupas, do seu comportamento, dos lugares que você frequenta. 
O sistema monetiza nossos corpos e nos culpa quando o pior acontece. Nos bombardeiam com imagens falsas de perfeição e quando mulheres morrem ao tentar atingi-los, nos culpam. Nos oferecem salários menores e se  não podemos ser financeiramente independentes de nossos parceiros, nos culpam também. Homens não usam camisinha, e se a minha pílula falhar, a culpa vai ser minha. 
Se eu me visto de maneira a não deixar nada mostrar, sou pudica e pouco atraente. Se me visto com roupas que revelem meu corpo, sou puta e mereço ser humilhada.
Colocam em nossas cabeças que nossa aparência deve agradar aos homens - e se seguimos a cartilha, nos categorizam como fúteis e inúteis. Gostar de maquiagem é ridículo, queremos um look mais natural, menos falso... nossa, você não usa maquiagem? Que absurdo! Por isso fica feia desse jeito! 
Se a vizinha faz sexo e grava, o mundo inteiro fica sabendo. Porque o namorado idiota vazou o vídeo, e ninguém culpa o namorado idiota. Somos nós, mulheres, as expostas. Somos nós,  mulheres, que vamos para a fogueira pública. Porque fizemos sexo, porque registramos esse fato, como se sexo fosse a coisa mais alienígena do mundo. Vende-se tanto o sexo, promove-se tanto o sexo, por que vídeos assim ainda causam tanta comoção? Você lembra o nome do cara que vazou o vídeo da Paris Hilton? Provavelmente não - eu mesma não lembro - mas todo mundo sabe que ela tem uma sextape. Colocam um cone da vergonha em nossas atividades sexuais, até que sair na rua se torne impraticável. Nossa intimidade é exposta e mais uma vez a culpa é sempre nossa.
E você nos dá uma flor, um bombom, um cartão cor-de-rosa e acha que está nos homenageando. 
Não queremos homenagem por ter que suportar todas as merdas que enfrentamos.
Não queremos uma flor para fingir que tudo está bem.
O que é uma flor quando se está no tiroteio todo dia?
Eu quero respeito. Quero pegar um ônibus e me sentar ao lado de um estranho com a certeza de que ele não vai abrir as calças do meu lado. Quero voltar do trabalho à noite sem me assustar com cada sombra. Quero que minhas amigas sejam respeitadas em suas diversas maneiras de ser, quero que as mulheres negras não sofram a horrível combinação do machismo com racismo, que não tenhamos medo de explorar nossa sexualidade em  suas diversas formas, que as  pessoas sejam respeitadas de acordo com suas identidades de gênero, que a mulher pobre consiga um trabalho digno para se separar do marido abusivo. Quero que os garotos saibam que as garotas NÃO SÃO SUAS PROPRIEDADES, que a família não ache fofo que seu filho beija uma menina da sua sala à força, quero que parem de ensinar aos meninos que se ele gosta de uma menina deve diminuí-la, persegui-la. Quero que entendam que o meu NÃO significa NÃO, e ele não tem que ser discutido se estamos falando do MEU corpo. Quero saber que pessoas trans* tenham oportunidades dignas na vida, sem serem humilhadas, ridicularizadas, violentadas. Quero que parem de ensinar às meninas que elas precisam ser agradáveis aos olhos dos homens, que o casamento é a única maneira de ser feliz. Quero que minha filha possa experimentar com o próprio visual sem represálias da sociedade, sem ditar o que é "de menino e de menina". Quero que meu filho possa brincar de boneca e exercitar sua imaginação sem se sentir pressionado. Quero usar a roupa que me deixa segura e confiante, sem medo de reações violentas. Quero que minhas amigas não se sintam invadidas nem desrespeitadas por estranhos em lugares públicos, quero que elas não sofram com ciúmes e possessividade.
Se você não pode me dar isso, não precisa me dar flores. Se eu quiser decorar meu quarto, pode deixar que eu mesma as comprarei.


{Espero que tenham gostado do layout novo do blog.  Hehe.}

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Top 10 - Músicas Natalinas

written by Larissa Rainey at 21:52 0 comentários.
Em 2011 eu escrevi aquele que seria um dos marcos deste blog: o Top 10 - Momentos Natalinos Deselegantes. Mas dois anos depois, achei que estava na hora de dar uma atualizada no tema. Aí você pensa, "porra, Larissa? Música Natalina? Sério que você vai fazer uma merda dessas?"
Minha resposta é: cala a boca e vem comigo.

Eu só queria um motivo pra postar essa foto.



Eu gosto do clima de derrota dessa música. O cachorro não está nem aí pro Natal, ele só quer saber de deitar perto da lareira e ficar de boa. Inclusive tá rolando uma identificação. Queria ficar deitada mastigando alguma coisa sem ninguém pra me encher o saco, mas infelizmente eu não sou um cão.


Você precisa da voz rouca do Tom Waits pro seu Natal ficar com aquele gostinho de amargura, fracasso e decadência. Pra escutar essa música, sugiro que antes você feche os olhos, finja que está num quarto escuro e sujo de hotel, fumando cigarro ruim e bebendo uísque barato. Você está sozinho no mundo, e é Natal. Sua família te odeia, você não tem emprego, nem companhia pra esquecer os problemas. Mas você recebe um cartão de Natal - de uma prostituta de Minneapolis. Aí aperta o play. De nada.


Eu choro de rir com essa música. Apenas CHORO. É a descrição detalhada e musical de uma vovó que exagerou na birita natalina e foi atropelada por uma rena. É pura poesia e magia. O clipe é mais sensacional ainda. 


ATENÇÃO: ESTA MÚSICA CONTEM O BOY GEORGE E O GEORGE MICHAEL.
ATENÇÃO: talvez você não saiba lidar com a fabulosidade desses Georges juntos.


O que dizer dos vocais afinados de Karen Gillan? Da cara de espirro iminente do Matt Smith? Da precisão musical de Arthur Darvill? A BBC nos trouxe o que há de melhor em músicas natalinas, com toda essa malemolência, essa facilidade em aprender as letras, a emoção que eles passam a cada nota cantada... Pega  meu lencinho, produção.


A Eartha Kitt é a rainha do mundo e se você não gosta dela cantando essa música eu também não gosto de você. Linda, fierce, sem precisar de muito cenário para ser totalmente chique e diva.


Cansou dos clássicos? Cansou daquela frescura toda de "eu quero amor pro Natal", "tudo o que eu quero pro Natal é você"? Ludacris é a solução perfeita para você! Uma batida hip hop, uma árvore de Natal decorada com papel higiênico (tá na letra, nem estou inventando), o que mais você quer de uma música natalina?


O que seria do Natal sem tradição? É uma lenda das músicas natalinas. Até fico emocionada quando escuto, ela realmente evoca todo o espírito natalino dentro do meu coração, me sinto aquecida por dentro até que começo a cantar esse refrão tão maravilhoso... Se o SEU Natal não tem essa música, ele é uma mentira.


Fico #CHATEADÍSSIMA quando peço sapatos feitos de pele de menina, um chapéu feito de pele de menino, o novo álbum do Slayer, uns ratinhos e uma serra elétrica e o Papai Noel me dá, sei lá, uma porra de um Game Boy.
Que eu vou fazer com essa merda, sabe.
Me dá uma caixa com um monte de pedras que dá no mesmo.


Eu não sei explicar o quanto eu amo essa música, o quanto ela reflete o meu espírito natalino, o quão genial é a letra. Liiiight me up put me on top let's f..lalalala, ho ho ho, under the mistletoe, yes everybody knows, we will take off our clothes...
Precisa de mais alguma coisa? Achei simples, achei direta, achei espírito do Natal.

Um Feliz Natal pra vocês <3




domingo, 24 de novembro de 2013

#30 - A Lista

written by Larissa Rainey at 23:17 0 comentários.

Se eu fizesse uma lista com todas as coisas que eu mudaria em mim, 
passaria o resto da vida escrevendo.
Eu queria ser mais cabeça fria, mexer no meu cabelo, suspirar e prosseguir com a vida. Tudo eventualmente se arranja. Idiotas continuarão sendo idiotas, não importa o quanto eu tente mudá-los. Eles não querem, e não vão mudar. Não é um conceito tão difícil de entender.
Eu queria ser mais impulsiva. Pensar menos. Refletir menos. Me pouparia muita dor de cabeça, muito desconforto e dores no coração. Eu dormiria bem melhor, teria a pele mais bonita, e olhos mais brilhantes - e não os olhos exaustos e sem vida que mostro por aí. 
Eu queria ser otimista. Olhar para a chuva e pensar "bem, pelo menos as plantinhas estão sendo regadas!". Observar o sol e amá-lo por brilhar tanto. Encarar uma situação ruim e pensar "bom, esta é a chance perfeita para eu me superar e aprender ainda mais a viver!".
Eu queria saber comuicar meus sentimentos e meus interesses. "Oi, olá, te acho uma gracinha, poderíamos ir ao cinema qualquer dia desses". Eu seria menos ansiosa e talvez não ficasse tão preocupada com os meus defeitos o tempo inteiro. Eu aprenderia a ser sociável e agradável.
Mas eu não sou assim. 
Se eu fizesse tudo o que está na lista com todas as coisas que eu mudaria em mim,
eu não seria mais eu.
Eu seria uma outra entidade, uma cópia perfeita - mas mecânica e falsa. 
Já que ser é preciso, que eu não seja uma cópia.
Eu sou o fogo incômodo que tento apagar a todo instante desde que nasci.

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Eu finalmente terminei as tais 30-crônicas-em-30-dias que acabou levando MESES pra terminar. Mas não me arrependo.
O blog está se tornando um conglomerado de textos pessoais. Esse ano li pouca ficção e vi poucos filmes, tudo por conta de vida acadêmica/trabalho. E pra ser sincera, cansei de escrever sobre filmes. Existem milhares de sites que falam sobre isso perfeitamente bem, e nos últimos tempos ando priorizando mais a minha escrita e a minha produção enquanto escritora. Talvez eu volte a escrever sobre filmes se algo realmente me animar, mas não  esperem muito de mim.
Porém, logo terei notícias pra vocês. Notícias boas. Quem curte mininamente o que eu escrevo vai gostar, acho. 
Não, não é sobre The Wandering Children... ainda.
;)
 

Larissa Rainey Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos